Orkurtização: um efeito nocivo à internet!
O termo orkutização tem sido usado há algum tempo para definir a disseminação de conteúdos irrelevantes na internet, notadamente nas redes sociais. Os recentes “cala boca” e outras #hashtags (espécies de etiquetas caracterizadas pelo uso do símbolo #) tem sido uma vitrine para essa “desqualificação” de conteúdos, o que abre espaço para a definição da internet como um meio de comunicação que não serve aos nossos jovens e aos profissionais no mercado.
Mas é exatamente aí que a discussão começa. Da mesma forma como os conteúdos vazios de novelas, reality shows e outros programas de televisão, a internet sobre com os conteúdos irrelevantes, ou seja, com aquilo que, na imensa maioria das vezes, não serve para nada. E não precisa ser especialista em internet para poder falar ou discutir essa questão.
Recentemente, o boom do Facebook abriu espaço para mais um tipo de atividade cheia de irrelevâncias: o uso de aplicativos com perguntinhas banais. Quem busca a internet como networking ou para disseminar conteúdos mais relevantes já está bloqueando esse tipo de atividade. Antes disso, a onda de e-mails também banais já era febre na rede. Aqueles e-mails que contam histórias inéditas ou mesmo enviam mensagens de Luiz Fernando Veríssimo sem que o autor tenha jamais escrito aquilo.
Esta é a parte ruim da internet: cheia de banalidades, irrelevâncias e mentiras, inclusive disseminadas de forma criminosa por inescrupulosos sujeitos que se escondem por trás de identidades anônimas e e-mails falsos. Estes são os eternos fakes de suas próprias vidas.
Empresas públicas ou privadas, escolas e residências tem uma solução fácil: cercear o direito de acesso. Outro dia mesmo, recebi um e-mail de uma empresa que mandava seus funcionários não utilizarem sites como youtube e facebook através do wi-fi. Detalhe: a empresa sequer tem wi-fi. Ou seja, o sujeito que proibiu simplesmente copiou algum e-mail de uma outra empresa.
Na contramão disso, surge o que podemos chamar de educação continuada em conteúdos relevantes e também a reflexão objetiva, ampla e transparente sobre o tema. Dois movimentos que podem trazer mudanças na utilização da internet e de suas redes sociais. Não falo aqui aos nerds que tudo sabem sobre internet e redes sociais, mas ao público leigo, que replica e-mails banais, utiliza os aplicativos com perguntinhas medíocres e subutiliza a rede.
Tão importante quanto as funcionalidades e aplicações que uma ferramenta oferece na internet, é a forma como as pessoas as utilizam. Por isso falo em educação continuada, que é muito melhor do que a simples proibição. Claro que a seriedade do tema não pode sugerir a falta de riso e humor no uso da rede. Muito pelo contrário, penso eu.
O debate está apenas começando e vai se prolongar por muito tempo, delimitando caminhos para que a internet e suas redes sociais ultrapassem a subutilização e gerem melhores debates sobre temas relevantes, que possibilitem mudanças reais na sociedade. Talvez não seja apenas um sonho!










