Cheguei do II Seminário de Humanização que ocorreu em Brasília ontem à noite. Na viagem, vim pensando em algumas coisas que vi, vivi, percebi e senti durante meus dias na Capital Federal. Conheci o coordenador da política nacional de humanização, Dário Frederico Pasche, e muitas pessoas de quase todo o Brasil que trabalham com humanização na saúde. Só por isso, valeu a participação no Seminário. Mas uma pergunta feita a mim minutos antes da minha saída do local do evento ficou na minha cabeça, pois não deu tempo de responder como eu gostaria. A pergunta foi: qual é a sua? E eu me pergunto agora: qual é a minha?
Meu primeiro professor de saúde pública e, antes da existência orgânica, de humanização na saúde, foi o médico e mestre em saúde pública, David Capistrano da Costa Filho, com quem tive o privilégio de trabalhar em meados dos anos 80, quando David foi secretário de saúde na cidade de Bauru, durante a gestão do prefeito Tuga Angerami. David também foi meu professor de política pois, segundo pessoas da época, enquanto uns faziam política contra a ditadura, eu escrevia poesias nas ruas da cidade de Bauru. Aprendi muito com os militantes mais velhos da época, com David e outros que militavam no comunismo clandestino da época. Eu era um jovem estudante, aprendiz e um tanto quanto ortodoxo em meus ideais e pensamentos.
Foi nessa época que fiz o curso de letras e, logo em seguida, comecei a dar aulas de literatura nos cursinhos pré-vestibulares do interior paulista (foram mais de 30 cidades por onde viajava “vendendo palavras e sonhos”). Depois de fazer o curso de letras, me atrevi a fazer jornalismo. Na época em que Ulisses Guimarães levantava a Carta Cidadã e a militância da saúde comemorava a criação do Sistema Único de Saúde, após longos anos de muita luta e predestinação, eu iniciava minha carreira na Universidade, onde lecionei durante 15 anos, vindo a ser coordenador do curso de comunicação e diretor da rádio universitária. A Universidade Estadual foi-me um grande aprendizado.
Mas para mim isso ainda era pouco, pois eu percebia o meu desconforto diante do excesso de teorias produzido, segundo o meu pensamento ainda ortodoxo, pela Academia. Creio que isso me veio também dos bons anos do curso de mestrado em análise do discurso na Unesp de Araraquara. Mas, o que pegou mesmo foi quando fiz o doutorado… e, no meio daquela teorização toda, decidi uma coisa: preciso ser prático e não teórico! Hoje mesmo, um amigo ainda dos tempos de cursinhos, me disse bem à vontade sobre este tema: “A Academia pensa, mas não realiza; quem realiza não pensa: tem interesses! O dono dessa frase é o ambientalista, geógrafo e advogado, Kláudio Cóffani. E eu fiquei pensando ainda: qual é a minha?
Após uma passagem de 4 anos pelo litoral paulista, onde aprendi a ver o mar; uns bons anos de cursos em áreas do desenvolvimento humano, onde aprendi a olhar o ser humano; e de resgate de ensinamentos de mestres como: David Capistrano, João Tidei Lima, Roberto Magalhães, Michel Foucault, Daniel Goleman, Augusto Cury, Susan Andrews, Everardo Duarte Nunes, com os quais aprendi ao vivo ou nos livros, percebi que era hora de mudar o rumo outra vez.
Fui conhecer melhor a política nacional de humanização através da leitura e estudo de sua teoria. Fui conhecer melhor a realidade da saúde, olhando, visitando e percebendo as coisas da saúde pública dos anos 2000, bem diferente daquilo que conheci nos anos 80, quando David Capistrano deixou Bauru e foi ser secretário de saúde e prefeito de Santos, no litoral paulista.
Mudei de rumo, deixei as salas de aula tradicionais quis ser prático. E me pergunto, respondendo a pergunta de Kláudio Cóffani: qual é o meu interesse? Ou seja, qual é a minha? E eu mesmo respondo, porque tá cheio de gente querendo responder por mim. Meu interesse hoje é realizar uma missão, com todo o aprendizado que recebi de um monte de gente. Realizar essa missão, agregando minha profissão a isso.
Chamei uns amigos que trabalhavam com desenvolvimento humano e saúde e criamos a Humaniza Brasil, que é uma associação, que logo vai virar instituto. E é assim que eu começo este novo momento, após participar do Seminário de Humanização em Brasília e conhecer a verdade (se é que ela existe) de perto. E vou passar meus próximos dias escrevendo sobre isso. Aguentem-me e falem comigo: 14-81531885 ou escrevapara@reginaldotech.com.br.